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Cumplice Do Tempo

ser cúmplice é ser parte de algo

Vesti a felicidade

05.03.24 | cumplicedotempo

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O dia acordara cinzento, e não era só de nuvens de cor cinza que o céu em tons entristecidos se pintava, mesmo que miudinha, a chuva teimava dele cair e a sua transparência, margem para duvidas não deixava para quem ele céu olhava, pois, seus tons escuros nas suas gotas brilhantes ainda mais se salientavam.

Mas ele amor acordara sem mínima vontade de ao tempo que lá fora fazia agradar, abriu gavetas e armários, espalhou roupas e agasalhos, boinas, chapéus e bonés, e decidiu que hoje se iria vestir de felicidade, trajar se de bem-estar, enroupar se de entusiasmo, satisfação e contentamento.

O dia fácil não se avizinhava, já a noite não o fora, pois isso de se ser amor nunca foi tarefa simples, e as noites mal dormidas teimavam nele despertar as ânsias, os medos e as incertezas, e o tempo cinzento não era por certo a melhor forma de pintar este novo dia que ainda agora acordara.

Mas ele amor decido estava em tudo contrariar, e de seu espelho fez testemunha nesta escolha de vestes que de felicidade o iriam arroupar, a escolha simples não seria, pois sabemos quanto eles amores são insatisfeitos por natureza, e a esta regra, este amor nunca procurou fugir, e dai veste camisa, troca sapatos, põe cachecol, tira boné e o tempo passa, mas o amor persistente não desistia de vestir a felicidade.

E por entre a inquietude de o tempo poder contrariar, havia algo que o amor sabia, depois da tempestade, a bonança sempre a porta bate, e para ela, vestir se a preceito ele tinha, pois prestes a sair ele estaria, e se ela nem viesse, a felicidade que ele iria vestir, sempre poderia contagiar quem a ele, outro tempo quisesse dar.

Dito isto a escolha de cada peça de roupa que o amor escolheu, não fora mais do que privilegiar o conforto do seu ser para que o seu andar disfarçasse o seu cansaço, o aconchego de uma qualquer malha para que o seu coração não ousasse arrefecer, o abraçar de um agasalho para se proteger de toda e qualquer intempérie e por fim o afagar de uma boina em tons de azul para que na rua o tempo cinzento o reconhecer não pudesse.

E assim o amor se vestiu de felicidade, a sua felicidade, pois é essa que mais importa nos dias em que o céu, o coração ou a alma não se pintam das cores que a gente quer ou gostaria.

“Vestia se de amores para que o dia se pintasse em tons de felicidade”

 

Nota: Esta ultima frase deste "Vesti a felicidade" foi inspiração para a criaçao de um soneto pela Maria João Brito de Sousa,  e assim nasceu o Amor & liberdade , não deixem de visitar e ler 

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